Ser ou não Ser...
Dia – 23 de Novembro,
Hora – cerca das 22h
Local – SicNotícias
Notícia – voos da CIA
Presenças – um jovem deputado da Assembleia da República, e o inefável comentador da casa Nuno Rogeiro.
Difícilmente se percebeu porque é que o deputado foi convidado a estar presente, já que o senhor N.R. usando de um processo que mais parecia lavagem ao cérebro, tipo maoista, atalhou constantemente com uma agressividade exaltada própria de quem está a defender a sua honra, não deixando que o convidado expusesse a intenção, que era e é tão sómente pedir esclarecimentos ao Governo sobre a possibilidade de terem sido usados aeroportos portugueses pelos voos às ordens da CIA para transportar presumíveis terroristas ou ligados a redes terroristas.
A enfâse do comentador foi tão contagiante que a dada altura até a locutora participou, embora por pouco tempo, no impedimento de expressão do convidado.
Completamente embalado e sempre com a mesma entoação provocadora, disse N.R. que na juventude lutou contra os imperialismos americano e soviético, quase a querer diminuir a juventude do deputado.
Parece que com o passar do tempo N.R. deixou cair as posições inflamadas da sua juventude e só lhe tenha ficado o tique de, todas as noites espreitar para debaixo da cama antes de poder adormecer descansado.
Como não presenciei a conversa desde o início fiquei sem saber de que partido era o deputado e como não sei quais são presentemente as convicções políticas de N.R., mas desconfio, ocorreu-me o célebre Ser ou não Ser.
A situação é grave...
A situação é grave!
De todos os quadrantes partem palavras de alerta perante o descontrole da coisa pública.
E não é de agora! Nos últimos quase trinta anos, o (des)governo tem sido o mote. Pode-se dizer (des)governo desta forma porque tem sido um desgoverno para o que é de todos e um governo apenas para alguns dentro de certas “capelinhas”. Já foram ensaiados ministérios PS, PPD, CDS, sozinhos ou acompanhados e, pelos vistos, sempre mal porque rapidamente se zangam, coligados uns com os outros. Sei eu que o centro, a direita e a extrema-direita tudo têm feito para as “capelinhas” terem a velinha acesa com a cera que eles fazem e o pavio do País que vai ardendo.
Para já, para já, sou da opinião que depois de toda essa má prestação de serviço, deviam sofrer a punição de não se votar neles, já que “democraticamente” a impunidade reinante não permite que sejam punidos de outra maneira.
Mas o que me trouxe aqui é mais direccionado ao anterior governo (?) que teve dois primeiros-ministros e ministros repetidos a fazerem de conta que não se conheciam - o que é capaz de ter provocado problemas de foro psicológico a alguns dos intervenientes. Perante a gravidade da situação da finança pública, logo começaram esses senhores e senhoras a apelar à ajuda do Altíssimo para que, com um milagre, sanasse esta chaga criada de tanto se coçar para dentro.
Acontece que o Altíssimo já não tem mãos a medir neste mundo de pecadores e conta sempre que a Nossa Senhora de Fátima, na sua bondade de Mãe tolerante, mais uma vez acuda a este acidente geográfico.
O apelo, em desespero de causa, estendeu-se à Santíssima Trindade e, portanto, ao Espírito Santo. Era aqui que eu queria chegar: ao Espírito Santo. Tanto se chamou por ele que apareceu não o da Santíssima Trindade, que também não deve ter tempo no meio de tantos apelos, mas o material, o terreno, o que tem estabelecimentos e interesses espalhados por Portugal e pelo mundo fora. E aí apareceu ele em diversas àreas da coisa pública, aplicadamente, a tentar ajudar esses seus devotos tão dedicados.
!!!
É a era da publicidade!
Todos os dias sofremos, sob as mais diversas formas, as arremetidas daquilo a que se chama vulgarmente os anúncios; nos transportes, no emprego e até no remanso do lar, de manhã à noite, desde a caixa do correio atafulhada, ao que se come e mesmo quando estamos no recolhimento da casa de banho, o sabonete deve ser aquele que é usado pela estrela de cinema e o papel higiénico tem que ser o que na televisão é todo desenrolado por um cachorro traquinas.
Por estes dias a publicidade está a ser usada para tentar vender outro "produto": a ideia política.
Os que têm estado sempre em lugares daquilo que é chamado governo, e que se vão rendendo de tempos a tempos, jogam tudo por tudo para continuar ou voltar para o que, um presidente de antes do vinte e cinco de Abril chamava o sacrifício da governação.
É ver os cartazes, perdão, os outdoors como esses senhoritos, com o patriotismo que os caracteriza, fazem questão de chamar para basbaque ouvir, é ver portanto os cartazes cheios das caras dos cabeças de lista.
Um aparece com a frase "este já é conhecido"; é bem verdade, conhecido e de que maneira, antes nunca o tivessemos conhecido.
Outro com um ar tristonho de quem não lhe apetece muito ser alternativa, em fundo verde mas um verde qu não é o verde vivo da esperança, mas sim um verde baço como se estivesse um pouco envelhecido (a reflectir a depressão nacional?).
Um outro então, que se apregoa do progresso, do futuro mas com ideias de passado, que quer à viva força estar na moda, mas com um perfil que faz lembrar Savonarola,enfim um senhor que quer porque quer estar IN apresenta-se no cartaz com as palavras VOTO ÚTIL a enquadra-lhe a cara.
Portanto aquela cara que se pretende ser tão IN está entre aquelas duas palavras.
Imagine-se o que as caras podem esconder...!