maio 07, 2006


O Padre Voador

Bartolomeu Lourenço de Gusmão (1685-1724)


  Bartolomeu de Gusmão
  Benedito Calixto
  Finais do séc. XIX
  Óleo sobre tela
  Museu Paulista (São Paulo)

  Nasceu em Santos, Estado de S. Paulo, Brasil, a 19 de Dezembro de 1685, filho de Francisco Lourenço Rodrigues, cirurgião-mor do   presídio da praça de armas, e de Maria Alvares.
  Com o nome de baptismo, Bartolomeu Lourenço, recebeu o apelido Gusmão em homenagem ao Provincial jesuíta do Brasil Alexandre de   Gusmão.


Ficou conhecido como o padre voador, embora nunca tenha voado, ao contrário de crónicas da época que o puseram a pilotar máquinas voadoras descritas com pormenores fabulosos. É o caso da tão celebrada Passarola cuja descrição se tornou quase um ex-libris.
Não terá voado fisicamente, mas como sonhador que era, mais que os seus aeróstatos foi a sua mente que voou para níveis não entendidos pelos da sua época, como mostra a campanha que lhe foi feita:


"Com que invento queres, baixo idiota
com que engenho te atreves brasileiro
a voar no ar, sendo pateiro*
desejando águia ser, sem ser gaivota?"

*o termo pateiro era usado para referir um frade leigo, encarregado da copa dos conventos.


   A Passarola
  Autor desconhecido
  Primeiro quartel do séc. XVIII
  Gravura
  Biblioteca Nacional (Rio de Janeiro)



   Frei Bartolomeu na Sala dos Embaixadores, da Casa da Índia, a 8 de Agosto de 1709, diante de D. João V e sua corte
  Autor desconhecido
  Séc. XIX
  Óleo sobre tela
  Museu Paulista (São Paulo)

  Esses voos da mente nunca lhe foram perdoados e assim, mesmo depois de ter sido capelão real, as poderosas e   não menos intolerantes e retrógradas forças que tinham como braço punitivo a Santa Inquisição obrigaram-no a fugir   por estar alegadamente envolvido numa história de bruxaria e ser suspeito de judaizante.
  Morreu, a caminho de Paris, em Toledo a 19 de Novembro de 1724 sem nunca lhe terem sido correctamente   reconhecidos os merecidos méritos nem salientado o facto de ter precedido, em setenta e quatro anos, os irmãos   Montgolfier, na invenção dos balões.



Estas palavras pouco mais de 320 anos passados sobre a data do seu nascimento.

Publicado por Mogrom em 02:46 PM | Comentários (307)