janeiro 31, 2005


IN

É a era da publicidade!

Todos os dias sofremos, sob as mais diversas formas, as arremetidas daquilo a que se chama vulgarmente os anúncios; nos transportes, no emprego e até no remanso do lar, de manhã à noite, desde a caixa do correio atafulhada, ao que se come e mesmo quando estamos no recolhimento da casa de banho, o sabonete deve ser aquele que é usado pela estrela de cinema e o papel higiénico tem que ser o que na televisão é todo desenrolado por um cachorro traquinas.
Por estes dias a publicidade está a ser usada para tentar vender outro "produto": a ideia política.
Os que têm estado sempre em lugares daquilo que é chamado governo, e que se vão rendendo de tempos a tempos, jogam tudo por tudo para continuar ou voltar para o que, um presidente de antes do vinte e cinco de Abril chamava o sacrifício da governação.
É ver os cartazes, perdão, os outdoors como esses senhoritos, com o patriotismo que os caracteriza, fazem questão de chamar para basbaque ouvir, é ver portanto os cartazes cheios das caras dos cabeças de lista.
Um aparece com a frase "este já é conhecido"; é bem verdade, conhecido e de que maneira, antes nunca o tivessemos conhecido.
Outro com um ar tristonho de quem não lhe apetece muito ser alternativa, em fundo verde mas um verde qu não é o verde vivo da esperança, mas sim um verde baço como se estivesse um pouco envelhecido (a reflectir a depressão nacional?).
Um outro então, que se apregoa do progresso, do futuro mas com ideias de passado, que quer à viva força estar na moda, mas com um perfil que faz lembrar Savonarola,enfim um senhor que quer porque quer estar IN apresenta-se no cartaz com as palavras VOTO ÚTIL a enquadra-lhe a cara.
Portanto aquela cara que se pretende ser tão IN está entre aquelas duas palavras.
Imagine-se o que as caras podem esconder...!

Publicado por Mogrom em 10:09 AM | Comentários (1)



janeiro 16, 2005


O Fantasma da Obra do Malandro

Terá sido um pesadelo?...


Terá sido um pesadelo? Depois de ter ido ver O Fantasma da Ópera e aguardando que chegue A Ópera do Malandro, passei uma noite terrível em que as histórias se misturaram de tal modo que posso dizer que foi um pesadelo com título e tudo:
O Fantasma da Obra do Malandro.
Mas passo a contar…
Havia um malandro que nunca conseguira fazer nada que tivesse princípio e fim, nada que se visse; desta vez meteu-se a construtor civil e começou uma obra.
Entretanto o pessoal da obra não se entendia, cada um puxava para seu lado e ainda por cima o material começou a escassear e o dinheiro também não aparecia.
Mas o malandro não queria desistir, até porque a sua fada madrinha lhe tinha uma vez dito que estava escrito que havia de ter obra feita.
Assim o malandro, que tinha muita lábia e alguns conhecimentos na noite, lembrou-se de transformar a obra inacabada numa discoteca, que era coisa para que se sentia mais vocacionado (e isto de vocações não se devem contrariar).
Surge então A Obra, discoteca que logo começou a ser muito badalada, com números de variedades, palhaços, saltimbancos, contorcionistas, engolidores de, nem sei o quê (no sonho não se percebia bem!) e até tinha uma primadona com voz de falsete que embalava os velhinhos com árias antigas.
Eis senão quando aparece o fantasma, o fantasma da obra, que como fantasma que era, não se definia bem, umas vezes translúcido outras vezes opaco, mas nunca transparente, um fantasma que em tempos já se passeara por alí e que tinha grandes pretensões de modernidade.
O fantasma e o malandro já se conheciam, desses tempos passados, já se tinham encontrado e trocado opiniões que até não divergiam muito. De facto o fantasma nem discordava de como funcionava A Obra do malandro; queria tão sómente que nos números de variedades fosse integrado um anão bem-falante que contava uma linda história de embalar mas que não passava disso, já que ninguém entendia o que dizia.
Em suma cada um queria impor o seu programa de variedades, acusando-se mutuamente de tudo e de nada, chegando a desafiar-se para confrontos públicos e….
...foi aqui que fui acordado pelo som estridente do despertador, que felizmente me tirava daquele pesadelo, bem cedinho às 6 da manhã, para não me atrasar porque a fila para o subsídio do desemprego era muito maior que as bichas à porta da discoteca A Obra.
Que pesadelo!...

Publicado por Mogrom em 01:41 PM | Comentários (1)



janeiro 09, 2005


Ventos de mudança?

Mas que tipo de mudança...?

Mas que tipo de mudança? Depois de todas as tropelias, foi decidido finalmente que tinha que haver nova consulta aos que habitam este País e merecem ser minimamente respeitados. Agora nesta época de preparação para ouvir as promessas dos que a todo o custo não querem perder os lugares que conseguiram e não querem largar, ou os que já os ocuparam e os querem recuperar, aparece o Presidente da Républica a dizer que se deviam criar condições para facilitar a concretização de maiorias absolutas.
Todos sabemos que nos 30 anos desta democracia, só 2 partidos têm tido votações para poderem ter maioria absoluta e quando não a conseguem recorrem a um partido contrapeso para poderem ficar senhores absolutos das decisões da assembleia onde todos nós devemos estar representados no verdadeiro significado da palavra.
Antes de 25 de Abril de 1974 a frase receita do governo de então era "evolução na continuidade".
Nos tempos que correm tem-se ouvido falar muito em "alternância democrática".
Com esta nova ideia, então é que confiantemente vai ser aceite o tal pacto de regime que ao mesmo tempo tornar-se-á o regime dos patos que aceitarem isso e tudo o que vier atrás e que por certo não será nada de bom para os cidadãos deste país.
Referiu o Presidente da República a figura do Papa, que carregando com a sua alzheimer vai persistentemente enviando mensagens ao mundo. O presidente pedindo desculpa da comparação disse também entender ser persistente; desejamos bem que a comparação do senhor presidente ao papa se resuma só a ideia de persistência.

Publicado por Mogrom em 08:07 PM | Comentários (2)