janeiro 16, 2005

O Fantasma da Obra do Malandro

Terá sido um pesadelo?...


Terá sido um pesadelo? Depois de ter ido ver O Fantasma da Ópera e aguardando que chegue A Ópera do Malandro, passei uma noite terrível em que as histórias se misturaram de tal modo que posso dizer que foi um pesadelo com título e tudo:
O Fantasma da Obra do Malandro.
Mas passo a contar…
Havia um malandro que nunca conseguira fazer nada que tivesse princípio e fim, nada que se visse; desta vez meteu-se a construtor civil e começou uma obra.
Entretanto o pessoal da obra não se entendia, cada um puxava para seu lado e ainda por cima o material começou a escassear e o dinheiro também não aparecia.
Mas o malandro não queria desistir, até porque a sua fada madrinha lhe tinha uma vez dito que estava escrito que havia de ter obra feita.
Assim o malandro, que tinha muita lábia e alguns conhecimentos na noite, lembrou-se de transformar a obra inacabada numa discoteca, que era coisa para que se sentia mais vocacionado (e isto de vocações não se devem contrariar).
Surge então A Obra, discoteca que logo começou a ser muito badalada, com números de variedades, palhaços, saltimbancos, contorcionistas, engolidores de, nem sei o quê (no sonho não se percebia bem!) e até tinha uma primadona com voz de falsete que embalava os velhinhos com árias antigas.
Eis senão quando aparece o fantasma, o fantasma da obra, que como fantasma que era, não se definia bem, umas vezes translúcido outras vezes opaco, mas nunca transparente, um fantasma que em tempos já se passeara por alí e que tinha grandes pretensões de modernidade.
O fantasma e o malandro já se conheciam, desses tempos passados, já se tinham encontrado e trocado opiniões que até não divergiam muito. De facto o fantasma nem discordava de como funcionava A Obra do malandro; queria tão sómente que nos números de variedades fosse integrado um anão bem-falante que contava uma linda história de embalar mas que não passava disso, já que ninguém entendia o que dizia.
Em suma cada um queria impor o seu programa de variedades, acusando-se mutuamente de tudo e de nada, chegando a desafiar-se para confrontos públicos e….
...foi aqui que fui acordado pelo som estridente do despertador, que felizmente me tirava daquele pesadelo, bem cedinho às 6 da manhã, para não me atrasar porque a fila para o subsídio do desemprego era muito maior que as bichas à porta da discoteca A Obra.
Que pesadelo!...

Publicado por Mogrom, em janeiro 16, 2005 01:41 PM, na categoria «Ventus» de Fábula


Comentários

Sonho ou realidade, uma coisa é certa: esses "produtores de espectáculos" têm sempre tendência para transformar actores e figurantes em ventríloquos de modo a conseguirem cenas e cenários ao gosto e conveniência das suas posições, esquecendo as necessidades dos espectadores pagantes de bilhete (não falo daqueles a quem o bilhete saíu na rifa!). Parece-me que é tempo de largar a plateia e invadir o palco!

Afixado por: Sombra, em janeiro 17, 2005 10:26 AM