janeiro 09, 2005

Ventos de mudança?

Mas que tipo de mudança...?

Mas que tipo de mudança? Depois de todas as tropelias, foi decidido finalmente que tinha que haver nova consulta aos que habitam este País e merecem ser minimamente respeitados. Agora nesta época de preparação para ouvir as promessas dos que a todo o custo não querem perder os lugares que conseguiram e não querem largar, ou os que já os ocuparam e os querem recuperar, aparece o Presidente da Républica a dizer que se deviam criar condições para facilitar a concretização de maiorias absolutas.
Todos sabemos que nos 30 anos desta democracia, só 2 partidos têm tido votações para poderem ter maioria absoluta e quando não a conseguem recorrem a um partido contrapeso para poderem ficar senhores absolutos das decisões da assembleia onde todos nós devemos estar representados no verdadeiro significado da palavra.
Antes de 25 de Abril de 1974 a frase receita do governo de então era "evolução na continuidade".
Nos tempos que correm tem-se ouvido falar muito em "alternância democrática".
Com esta nova ideia, então é que confiantemente vai ser aceite o tal pacto de regime que ao mesmo tempo tornar-se-á o regime dos patos que aceitarem isso e tudo o que vier atrás e que por certo não será nada de bom para os cidadãos deste país.
Referiu o Presidente da República a figura do Papa, que carregando com a sua alzheimer vai persistentemente enviando mensagens ao mundo. O presidente pedindo desculpa da comparação disse também entender ser persistente; desejamos bem que a comparação do senhor presidente ao papa se resuma só a ideia de persistência.

Publicado por Mogrom, em janeiro 9, 2005 08:07 PM, na categoria «Ventus» da História


Comentários

Mudanças? Projectam-se algumas, de facto:

- os Renovadores pretendem mudar o seu vínculo político para se juntarem aos bloquistas nas eleições - mera questão de táctica por saberem que não conseguem nada concorrendo sozinhos;

- José Sócrates quer mudar o valor do IVA dos 19 para os 20% - mera questão de hipocrisia para não aumentar a receita à custa do cumprimento de leis já existentes e que são constantemente apunhaladas porque nenhum cidadão lhes pode fugir, ao contrário das declarações;

- Manuel Monteiro pretende mudar o carácter obrigatório da frequência da disciplina de Educação Sexual para o regime opcional, igualando a sua importância à da disciplina de Religião e Moral - mera questão de beatice e ponto final;

- etecétera e tal...

Com tanta vontade de mudança, os primeiros recusam-se a honrar a ética partidária na qual se filiaram e desvirtuam os princípios idiológicos que o Partido perfilha ao manterem um vínculo fictício que apenas visa transmitir uma ideia cisão interna para o exterior. Antes tivessem a coragem de mudar cabalmente para outro partido!

Com projectos de mudança no sentido do aumento dos impostos, o segundo não consegue marcar qualquer diferença relativamente ao governo anterior que acusa de ter sobrecargado o bolso dos portugueses. Antes mudasse de vez juntando-se a eles em vez de simular uma alternância democrática que pouco difere do rotativismo partidário do século XIX!

Com preocupações de mudança tão puritanas e beatas, o último esquece-se que nasceu em resultado de uma prática mais antiga que a consciência religiosa e que vive num estado laico que por ser democrático e herdeiro dos ideais de liberdade de expressão e crença nascidos da Revolução Francesa, tolera o ensino das várias religiões, tendo até uma especial condescendência pelo catolicismo cristão que morde a mão ao dono sempre que pode, sem por isso optar pelo seu abate. Antes mudasse para o governo do Vaticano onde, sem dúvida, ficaria melhor enquadrado!

Afixado por: sombra, em janeiro 11, 2005 03:12 PM

Parece ser uma mudança de mal a pior... Penso que este é o melhor momento para nós nos juntar-mos na realização de qualquer tipo de campanha. Isto porque ainda estamos nas vésperas das eleições, o que facilita a aprovação de certas mudanças no programa eleitoral. Se o futuro governo não se empenhar em realizar as mudanças na devida altura, tudo indica que não querem ver estas mudanças como prioridade.

Afixado por: Carlos Martins, em janeiro 31, 2005 05:00 PM