Mas que tipo de mudança...?
Mas que tipo de mudança? Depois de todas as tropelias, foi decidido finalmente que tinha que haver nova consulta aos que habitam este País e merecem ser minimamente respeitados. Agora nesta época de preparação para ouvir as promessas dos que a todo o custo não querem perder os lugares que conseguiram e não querem largar, ou os que já os ocuparam e os querem recuperar, aparece o Presidente da Républica a dizer que se deviam criar condições para facilitar a concretização de maiorias absolutas.
Todos sabemos que nos 30 anos desta democracia, só 2 partidos têm tido votações para poderem ter maioria absoluta e quando não a conseguem recorrem a um partido contrapeso para poderem ficar senhores absolutos das decisões da assembleia onde todos nós devemos estar representados no verdadeiro significado da palavra.
Antes de 25 de Abril de 1974 a frase receita do governo de então era "evolução na continuidade".
Nos tempos que correm tem-se ouvido falar muito em "alternância democrática".
Com esta nova ideia, então é que confiantemente vai ser aceite o tal pacto de regime que ao mesmo tempo tornar-se-á o regime dos patos que aceitarem isso e tudo o que vier atrás e que por certo não será nada de bom para os cidadãos deste país.
Referiu o Presidente da República a figura do Papa, que carregando com a sua alzheimer vai persistentemente enviando mensagens ao mundo. O presidente pedindo desculpa da comparação disse também entender ser persistente; desejamos bem que a comparação do senhor presidente ao papa se resuma só a ideia de persistência.
Mudanças? Projectam-se algumas, de facto:
- os Renovadores pretendem mudar o seu vínculo político para se juntarem aos bloquistas nas eleições - mera questão de táctica por saberem que não conseguem nada concorrendo sozinhos;
- José Sócrates quer mudar o valor do IVA dos 19 para os 20% - mera questão de hipocrisia para não aumentar a receita à custa do cumprimento de leis já existentes e que são constantemente apunhaladas porque nenhum cidadão lhes pode fugir, ao contrário das declarações;
- Manuel Monteiro pretende mudar o carácter obrigatório da frequência da disciplina de Educação Sexual para o regime opcional, igualando a sua importância à da disciplina de Religião e Moral - mera questão de beatice e ponto final;
- etecétera e tal...
Com tanta vontade de mudança, os primeiros recusam-se a honrar a ética partidária na qual se filiaram e desvirtuam os princípios idiológicos que o Partido perfilha ao manterem um vínculo fictício que apenas visa transmitir uma ideia cisão interna para o exterior. Antes tivessem a coragem de mudar cabalmente para outro partido!
Com projectos de mudança no sentido do aumento dos impostos, o segundo não consegue marcar qualquer diferença relativamente ao governo anterior que acusa de ter sobrecargado o bolso dos portugueses. Antes mudasse de vez juntando-se a eles em vez de simular uma alternância democrática que pouco difere do rotativismo partidário do século XIX!
Com preocupações de mudança tão puritanas e beatas, o último esquece-se que nasceu em resultado de uma prática mais antiga que a consciência religiosa e que vive num estado laico que por ser democrático e herdeiro dos ideais de liberdade de expressão e crença nascidos da Revolução Francesa, tolera o ensino das várias religiões, tendo até uma especial condescendência pelo catolicismo cristão que morde a mão ao dono sempre que pode, sem por isso optar pelo seu abate. Antes mudasse para o governo do Vaticano onde, sem dúvida, ficaria melhor enquadrado!
Afixado por: sombra, em janeiro 11, 2005 03:12 PM
Parece ser uma mudança de mal a pior... Penso que este é o melhor momento para nós nos juntar-mos na realização de qualquer tipo de campanha. Isto porque ainda estamos nas vésperas das eleições, o que facilita a aprovação de certas mudanças no programa eleitoral. Se o futuro governo não se empenhar em realizar as mudanças na devida altura, tudo indica que não querem ver estas mudanças como prioridade.